Barbitúricos
Hoje escolhi o meu destino: Morrer às mãos de barbitúricos. Para fugir da real
idade do meu cérebro, da depressão que me condena ao suor dos destemidos.
Não há idade para a frivolidade, mas sim para o despertar dos sentidos. Agora,
sei que chegou a minha hora. Tal como Jean Seberg, actriz maravilhosa morta
por esses comprimidos dentro do seu carro, quero no meu velho Kadett de 1982
desaparecer para aparecer num outro sítio. Não deixo família, filhos e poucos amigos.
Nada de pernicioso, portanto. O mundo continua a resfolegar em fumo e calor,
sinal dos vivos que poluem em demasia este mundo sintético. Sinto-me acossado,
como no filme do Godard. Quero uma vespa para calcorrear as ruas de Paris, Milão,
Roma, Nápoles, Barcelona, Compostela, Porto e Lisboa. Tudo o mais é inodora paisagem.
E pronto, por hoje chega! Estou cansado. Padeço de prisão perpétua na morte.
Saio agora pela porta estreita, como sempre quis. Resta-me o reencontro com a vida.
idade do meu cérebro, da depressão que me condena ao suor dos destemidos.
Não há idade para a frivolidade, mas sim para o despertar dos sentidos. Agora,
sei que chegou a minha hora. Tal como Jean Seberg, actriz maravilhosa morta
por esses comprimidos dentro do seu carro, quero no meu velho Kadett de 1982
desaparecer para aparecer num outro sítio. Não deixo família, filhos e poucos amigos.
Nada de pernicioso, portanto. O mundo continua a resfolegar em fumo e calor,
sinal dos vivos que poluem em demasia este mundo sintético. Sinto-me acossado,
como no filme do Godard. Quero uma vespa para calcorrear as ruas de Paris, Milão,
Roma, Nápoles, Barcelona, Compostela, Porto e Lisboa. Tudo o mais é inodora paisagem.
E pronto, por hoje chega! Estou cansado. Padeço de prisão perpétua na morte.
Saio agora pela porta estreita, como sempre quis. Resta-me o reencontro com a vida.