10 de fevereiro de 2010

No Sargaço de um Beijo

Trocaste as voltas à fantasia. Caíste na cilada dos vivos!
E agora, socorres-te da memória dos náufragos.
A tua tez lívida, mascara a ausência de emoção. Partes
rumo a um cais diferente, ancoras o desejo no frémito
singular do corpo nauseabundo. Estás carcomida de
paixão e horror, deitas-te nua na enseada dos abutres.

Acordas desse caudaloso sonho e escondes-te à pressa
nos canaviais. Os pescadores terminam a sua faina e
regressam aos copos na tasca em frente. Entretanto,
tomas um banho retemperador e já vestida, começas
a escrever os teus sonhos na areia. Vais à tasca dos
pescadores e pedes um bagaço que te faça acordar.

Já no frémito da cidade, deambulas risonha, porque
este dia foi especial para ti. És uma pessoa diferente.
Sentes-te viva, segura de ti. Chegas enfim à casa da
utopia, a tua única morada dos desejos e conquistas.
Queres um amor de sonho e sonhas com o teu último
amor encontrado no sargaço delicado de um beijo.