27 de dezembro de 2008

Carpe Rosa!

Prende a respiração na noite demorada do luar. As estrelas tremeluzentes são a ideal
companhia dos amantes solitários, gaivotas perenes de paixão e dor. Na ânsia de um
poente por acontecer, há sonatas que se tocam com os dedos frios em vôos nocturnos por
desbravar. Nas águas bravas do desejo, vislumbras a insidiosa morte dos sentidos nas
arenas do silêncio. Fios correm, erectos e férreos nas salinas raendo o mel da paisagem,
nuvens passageiras dos anseios em que agora mergulhas. Nesta efusiva estação dos
míseros embrulhos carcomidos pelas chuvas ácidas da esperança, desnudas-te no cerne
da multidão, pátria inflada de consumismo irracional. O que é geracional é bom e por isso
transmutas-te em género avaro e silvestre, amora prenhe de suco existencial. Na aurora
do decepado brilho dos olhares, continuam a arar os campos desérticos do amor, os pobres
e fugazes seres amedrontados com a existência do vácuo primordial, eficaz modorra dos
dias inquietos. Claro que tudo isto é a brincar, ironia sagaz no mergulho profundo dos teus
braços cansados. Sei que no mais fundo de ti te traí, mão inquieta e alarve, sedenta de um
retorno a ler devagar nos eternos melodramas da memória. Agora, resta esperar pelo
palco vazio, para deitar-me nas tábuas quentes da emoção, cama persistente da vida.
Como é tão riscada a efemeridade de uma escrita feita beijo enlouquecido, impotente
marcha nos dias rasurados de vitórias. Um só olhar basta para derreter a neve das
turbulentas dúvidas entre palavras feitas rumor e glória, criação mental de um universo
instável e singular, destino interno para a hibernação razoável da memória.

2 Comments:

Blogger a saber usou da palavra

boa continuação.

27 dezembro, 2008 22:44  
Blogger L usou da palavra

Obrigada, também gosto muito do que escreves... Que tenhamos todos um ano de 2009 cheio de boa sorte. :)

31 dezembro, 2008 14:07  

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