4 de outubro de 2007

Teatro O Bando - Palmela

Hoje falo-vos do Teatro "O Bando", companhia das mais estimulantes em termos criativos, original, com um cunho muito forte de sensibilidade, carinho e uma relação com o espaço (e com a terra) bastante intensa. Nascido a 15 de Outubro de 1974, vai comemorar dentro de dias o seu 33º aniversário. Inicialmente nasceu de um grupo de amigos que decidiram formar um colectivo forte, com preocupações pedagógicas, sociais e políticas. Começaram apenas como uma Companhia de Teatro para a Infância e Juventude, com uma preocupação de itinerância bastante forte. Um dos pontos altos do grupo surgiu ainda nos anos 70, quando realizam uma digressão por Trás-os-Montes, onde fazem animação cultural com as populações das aldeias locais. Além disso, com as associações culturais e grupos de teatro locais, fazem uma troca de conhecimentos e de partilha de saberes que deixou uma marca profunda em ambos. João Brites, um dos fundadores e actualmente director artístico e encenador realça esse facto para o crescimento d'O Bando. Após muitos espectáculos e digressões, passam a realizar espectáculos também para o público adulto, num esforço de pesquisar novos rumos e dramaturgias. Importante marca d'O Bando são as máquinas de cena, objectos feitos propositadamente para os espectáculos, desde pequenas a grandes dimensões. Além disso, os textos para cena são adaptados de romances, contos, novelas, com uma linguagem muito particular. O Bando gosta de actuar em locais não convencionais, como jardins públicos, autocarros, comboios, em castelos, em barragens. Por isso, a mudança, desde 1998 para o espaço da Quinta de Vale de Barris, em Palmela, no meio do campo, das oliveiras, da encosta da Serra, dos animais e do frio do inverno (aquecido à lareira).
Um espaço que tem permitido aproveitar os diversos hectares e paisagem envolvente para os espectáculos, onde podemos também vislumbrar as máquinas de cena, espalhadas pela quinta.
Além de João Brites, grande mentor e entusiasta, sempre com um sorriso nos lábios e uma afabilidade que nos põe à vontade, é toda uma equipa notável, predisposta a ajudar, a esclarecer-nos, a sentir-nos em casa e a sentir a energia de pertencer ao Teatro "O Bando".
Uma referência especial para alguns nomes que fizeram o grupo, como a saudosa Natércia Freire (produtora recentemente falecida) que era uma força da natureza, pela coragem, sabedoria, empenhamento. Do grupo de actores, destacam-se pela ligação desde o início (ou quase) os nomes de Raúl Atalaia, Cândido Ferreira, Horácio Manuel, Adelaide João, Paula Só, Antónia Terrinha, Bibi Gomes, Gonçalo Amorim, Nicolas Brites, Fátima Santos.
Quem puder ir a Palmela, conhece não só uma localidade lindíssima (com o seu castelo), mas também uma quinta especial onde se faz um teatro de gente singular. Não deixem por isso de visitar O Bando, já que têm um espectáculo em cena, até dia 21 de Outubro, escrito por Jacinto Lucas Pires para O bando, que tem por título "Os Vivos", às 22:00(de quinta a sábado) e 17:00 (Domingo). Para descobrirem e entrarem no mundo d'O Bando, vão a http://www.obando.pt/ (na foto: espectáculo "Os Vivos")

9 Comments:

Anonymous Anónimo usou da palavra

Sempre no bom serviço.
afectos

04 outubro, 2007 20:20  
Blogger odeusdamaquina usou da palavra

Olá afectos.
Que se passa com o teu blog?
Vais criar um novo? Quando tiveres novidades, avisa, para eu acrescentar na lista, já que o bloco de notas já não funciona!
Beijos!

04 outubro, 2007 20:51  
Blogger Ariel Sharon Tate usou da palavra

E a Lola, que conhecemos no Justiceipaz!?

É verdade que O Bando comercializa o azeite que colhe das oliveiras da sua quinta? Ou trata-se de um mito urbano numa área meio rural?

04 outubro, 2007 21:09  
Blogger Ariel Sharon Tate usou da palavra

Você sabia que...

Pompeu José, actor do Trigo Limpo teatro ACERT, já foi também actor n`O Bando?

Ainda criaremos a Pernipédia. E a kinkypedia. Isto é só projectos.

04 outubro, 2007 21:56  
Blogger odeusdamaquina usou da palavra

Sim, sabia que o Pompeu José fez parte. E a Lola, faz parte, mas apenas da organização do FIAR - Festival Internacional de Artes de Rua, mas está ligada ao Bando.
E sabia que o actor José Pedro Gomes fez parte do Bando?
E o actor odeusdamaquina também?
E a Ana Brandão, Sílvia Filipe (grande amiga), João Ricardo (grande contador de histórias e de anedotas). E muitos outros! O Bando é uma grande e boa família.
Prá semana é o dia de aniversário da Companhia e onde se faz a apanha da azeitona. Não é vendido, mas é dado a todos os cooperantes d'O Bando e amigos. Ali não se tem o desejo de fazer de tudo um negócio. E a marmelada do encenador? Ele oferece um frasquinho de marmelada a cada actor (eu já recebi um) e digo-te: o sabor é mesmo bom, biológico!
Acho que o Bando utiliza muito mais o campo que por exemplo a ACERT, embora agora os passeios aos domingos também sejam interessantes, mas o Bando faz espectáculos no meio das árvores, na colina do castelo, eu já fiz um exercício deitado por cima das urtigas, da relva molhada, da terra suja, ao pé do grande poço a céu aberto, lá em cima da serra, a ver-se toda a península (para norte Lisboa, Almada, Barreiro, Montijo e Alcochete e para sul Setúbal, Sesimbra, Tróia sem cavalo, Alcácer do Sal, Grândola sempre morena, o mar e a serra da Arrábida), que é um mundo de emoções! Aparece cá um dia neste fantástico cenário! Vale a pena!

05 outubro, 2007 12:32  
Blogger Joana Dalila Santos usou da palavra

Bom fds

05 outubro, 2007 15:27  
Blogger Ariel Sharon Tate usou da palavra

Também para ti, Joana.

Então, os d`O Bando são teluristas. Cuidado com isso, que o Bush declarou guerra ao telurismo!

05 outubro, 2007 15:30  
Blogger odeusdamaquina usou da palavra

E ontem fui ver o espectáculo a Palmela e...delirei!
Imaginem todo o espectáculo com um MP3 nos ouvidos, a ouvir os actores, a música e o barulho de carros a passar. O espectáculo começa no meio da estrada, onde 2 actores de negro deambulam por entre os carros e depois entram num 2CV todo artilhado. Depois, como numa espécie de audio-walk, caminhamos por entre a quinta, ouvindo as cigarras, cheirando o forte cheiro a mosto do vinho acabado de vindimar e entramos na sala de recepção, onde se desenrola o restante espectáculo, numa espécie de biombos translúcidos e onde me senti vuoyerista daquela intimidade (as cenas passavam-se dentro de uma casa, onde cada personagem demonstra o monstro que há em si, com os seus tiques, atitudes, costumes, mistérios e contradições) dos corpos bem defronte de mim. O público está disposto em arena, envolvendo toda a cena. Imperdível este espectáculo! Mais um daqueles que ficarão na memória,pela mão (e o corpo inteiro) d'O Bando, uma Companhia sempre a inovar, sempre a surpreender e a transmutar as coordenadas do fazer teatral.
A não perder, nem que seja só para conhecerem as entranhas do local onde habita este Bando de criadores singulares!

08 outubro, 2007 13:45  
Blogger odeusdamaquina usou da palavra

Obviamente que voyeurista escreve-se assim! Foi um lapso que durou horas, mas cheguei lá!

09 outubro, 2007 00:43  

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