24 de outubro de 2007

Merda de artista

«Com raras e honrosas excepções [...], encaro essas instalações "artísticas" pós-modernistas que costumam ser exibidas em Bienais e mostras de arte como tremendos embustes, invariavelmente justificados pelos criadores com discursos herméticos e rebuscados falando de liberdade criativa e rompimento de paradigmas. Pois bem: o que há de vanguardista em amarrar um cachorro doente à parede de uma galeria de arte e deixá-lo morrer de fome em nome da, hmm, "arte"?

Por intermédio de minha amiga Ane Aguirre , tomei conhecimento da história de Guillermo Vargas Habacuc , um costarriquenho que, conforme descreve a escritora Rosa Montero num artigo para o jornal El Pais, "afirma ser um artista". Em agosto deste ano, Habacuc criou uma instalação intitulada "Exposición N° 1", numa mostra realizada na Galeria Códice, localizada em Manágua, capital da Nicarágua. Ao som do hino sandinista tocado ao contrário, os visitantes deparavam-se, na entrada da exposição, com uma frase na parede ("eres lo que lees") cujas letras eram formadas por comida de cachorro. Logo adiante, os visitantes eram surpreendidos pela secção mais polémica da instalação de Habacuc: um cachorro enfermo, que teria sido capturado nas ruas de Manágua, preso num canto da galeria. Segundo o "artista", a obra representava uma homenagem a Natividad Canda, um nicaraguense morto recentemente devido a um ataque feito por dois cães rottweiler. Justificou, desta maneira, a captura de um cachorro indefeso e doente, que se chamava Natividad. Que não recebeu nenhum auxílio veterinário, não foi alimentado e, apesar dos pedidos de vários frequentadores da exposição para que fosse desamarrado, permaneceu amarrado até ao dia seguinte à inauguração da instalação, quando morreu de fome diante dos olhares dos espectadores.

Diante da polémica que certamente desejava causar, Guillermo Vargas Habacuc afirmou: "O importante para mim era constatar a hipocrisia alheia. Um animal torna-se foco de atenção quando o ponho num local onde pessoas esperam ver arte, mas não quando está no meio da rua morto de fome". E rematou: "O cachorro está mais vivo do que nunca porque continuam a falar dele". Habacuc é um dos artistas seleccionados para participar da edição de 2008 da Bienal Centroamericana nas Honduras. Porém, circula uma petição online solicitando que a indicação de Guillermo Vargas para a Bienal seja revista.»

Por Alexandre Inagaki
(adaptado para Português Europeu)

12 Comments:

Blogger odeusdamaquina usou da palavra

Eh pá, podias ao menos ter o cuidado de mudar do brasileiro para o nosso português. Deixa de ser preguiça e muda o texto. Para ficar mais inteligível.

25 outubro, 2007 11:41  
Blogger Ariel Sharon Tate usou da palavra

Cimecei a fazer isso, mas assim desrespeitaria o linguajar original... mas fá-lo-ei "ahora mismo"

25 outubro, 2007 12:20  
Blogger eu usou da palavra

Uma aberração artística mas também de quem abandona um animal.

25 outubro, 2007 19:12  
Blogger oaltooforteeomoyle usou da palavra

Era uma vez um cão três patas. Foi mijar e... caiu.

25 outubro, 2007 22:32  
Blogger odeusdamaquina usou da palavra

Ahá! Já me começam a imitar! Mudar de vez em quando o nome deste blog. É original, digamos que sim!
Prá semana sou eu a pôr outro nome!
Ok!

26 outubro, 2007 09:35  
Blogger Joaquim Amândio Santos usou da palavra

a arte tem de (também) ser responsabilidade e respeito social. por todos. com duas pernas, quatro ou mais patas!

27 outubro, 2007 00:57  
Blogger Zaratustra usou da palavra

Pessoas deste tipo provavelmente sempre acharam legal o "ser" artista, desde criança, mas não tinham talento pra isso. Daí inventam toda esse embuste. Com essa enrolação para justificar essa pseudo-arte poderiam pelo menos tentar alguma coisa na filosofia, igualmente inócua mas inofensiva aos cachorros, do que tentar ser um rascunho de um pretenso e malfadado "artista"

29 outubro, 2007 00:56  
Blogger Moyle usou da palavra

Este comentário foi removido pelo autor.

30 outubro, 2007 00:14  
Blogger Moyle usou da palavra

Dantes tinha um cão sem nenhuma das quatros patas. Sabem como se chamava?
Aqui a falar dos direitos do animais mas estão a tentar magicar qual seria o nome do meu cachorro. São tão animais e cruéis como quaisquer outros.
Um cão sem as quatro patas não se chama, vai-se buscar.

30 outubro, 2007 00:16  
Blogger Trilby usou da palavra

Sem talento e sem afecto, esse artista de meia-tigela!

30 outubro, 2007 16:54  
Blogger deuulgarieloquentia usou da palavra

atenção que essa história, segundo o Público, não foi bem assim. Dizem que o cão comia e que houve um dia que conseguiu fugir. De qualquer maneira, condeno essa "instalação" porque implica a infração de limites éticos no confronto com os direitos dos animais.

31 outubro, 2007 22:50  
Anonymous Zubell usou da palavra

Citar o Interney? Um bocado rebuscado... Elevemos as leituras, ok?

01 fevereiro, 2008 12:21  

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