16 de janeiro de 2007

Tisanas no Deserto

Adenda
Acrescento leve na bruma
Maresias do olhar

A inválida mente
na oblíqua passagem.
O vento é por tua conta!

Calçadas despidas de homens
Anoitece nos campos
da selvagem solidão.

Tens uma espinha que atravessa
a tua garganta.
Passeias-te com os ombros
infestados em mel.
Só a língua no cais
te dão o remorso da sílaba.

Cruzamentos na pálida
avenida dos afectos,
bípedes e triciclos
da imaginação.
Juntas a cabeça ao céu,
o sol pode esperar
pela bruma do teu sorriso.

Doravante, Marche!
Caminhe na flexão do indizível.
Atraque na orla do cinzento-escarlate
das divinas providências animais.

Perverso, caminho inverso da certeza,
solipsismo da utópica atracção dos pólos
em estreita relação com o seu equador
dos medos e angústias.

Palavra breve, sincopada, apalpada!
Lâmina doce, sabor eólico!
A tumba assaz profunda,
os rizomas infectos de húmus.
Líquenes-da-Islândia para turgir
as memórias.

Infusão ordenada, cálices orlados
a ouro do deserto.
Bebemos juntos
o espaço sideral.

2 Comments:

Blogger mao morto usou da palavra

Com estes poemas me barbeio diariamente; as palavras-lâmina sussurram-me a pele, com Aloé Vera e Vitamina E.

18 janeiro, 2007 14:43  
Blogger odeusdamaquina usou da palavra

Vitamina P - de Poema maldito na tua funérea pele. Poros agitados na frescura de uma sílaba abrigada do vento. Pérfidos e insones poemas imberbes!

18 janeiro, 2007 18:23  

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