13 de outubro de 2006

Utopias Inimitáveis

Frágeis recordações
Militância Consumida
Os desvarios da juventude
E a dura droga da ausência

Palmilhámos os azuis celestes
A onírica causalidade do infinito
Os estertores da monotonia
Na solene fuga das prisões

Triunfos e inglórias teses
Paroxismos e anagramas
O epitélio das paixões urbanas
na senda triste do limite periférico

Encontros e perspectivas
nas diáfanas torrentes
nas balaustradas da morte
O vazio, o Eco original

As centelhas de génio
nas melífluas medusas
do alto mar, com as urticantes
membranas do devir afectuoso

Caudaloso naufrágio
de emoções, enseada
abrupta e rumorejante
Os painéis pintados de dor

Frugal indecência
do maremoto infiel
Postigos ausentes
na enxurrada de ideias

Oxímoros prestáveis
às autistas recordações
Passeando o desejo
pela brisa da tarde

O Ocaso frenético
O Frenesi inusitado
Prescrição assintomática
sem causa nem cura

Remédios do medo
modesto silvo
de inocência perdida
no altar-mor da saudade!

7 Comments:

Anonymous ODEUSDAMAQUINA usou da palavra

Há alguém que tenha a coragem de dizer algum bitaite, ou a poesia é assim tão difícil? Mania das elites! Não tenham medo de escrever o que vos vier à tola, não tenham medo de entrar num teatro só porque a sala é faustosa e do tempo do Barroco. Entrem nos espaços, apropriem-se deles, vão de fato de macaco à Ópera, aos Teatros nacionais. Discutam poesia como discutem o penalti roubado ao Sporting, digam mal dos poetas, actores, cantores, como dizem mal dos árbitros. O país seria muito mais culto, mais cool, mais avançado, mais médio-esquerdo, mais encenado, mais interessante, porra! ( Porra não é o nome do país, sublinhe-se).

17 outubro, 2006 14:11  
Blogger Trilby usou da palavra

Aqui estou eu, de pijama, cachecol (do Glorioso)e bandeira. É aqui o Rivoli? OK. Ocupo na mesma. É só para te perguntar se todas as palavras que escreveste no teu poema te surgem espontaneamente ou não? Preciso do esclarecimento para saber que adjectivo usar.

17 outubro, 2006 15:22  
Anonymous odeusdamaquina usou da palavra

sim, surgem espontaneamente, em turbilhão, em catadupa, em cachupa, em rouxinol, em cachecol.
Foda-se pró futebol!
Fui claro?

Ok, aqui no computador é assim. Quando escrevo no papel, porque tenho tempo, porque estou a observar algo, porque estou no quarto, na cama, tenho tempo de pensar, rasurar, deitar fora, colar, bisbilhotar. Aqui não.
Sai de enfiada, descobri um conceito: a poesia fast-food, fast-word, fast-forward, ou em português, poesia ready-made, poesia pronta a visualizar, a usar, a barbarizar, a colonizar, a queimar, etc e tal.
Isto porque o que escrevo normalmente é no intervalo entre o almoço e a próxima aula, num espaço de meia-hora (se tanto), ou após as aulas, antes do jantar, como agora te escrevo.
Mas aproveita para criticar, dizer mal, corrigir erros. só assim poderei aprender mais e evoluir.
Beijos.

17 outubro, 2006 19:40  
Blogger mao morto usou da palavra

John Keats
John Keats
John
Põe o teu cachecol, se faz favor

J. D. Salinger, "Seymour (uma introdução)"

18 outubro, 2006 15:36  
Blogger Trilby usou da palavra

Espectacular. Pronto, achei o adjectivo. Acho espectacular essa facilidade de produzir. Essa cachupa de palavras. Esses cachecóis de poesia. Viva tu!
:)

18 outubro, 2006 17:31  
Anonymous odeusdamaquina usou da palavra

Espectacular, de espectáculo, de espectare, de esperar algo.
A construção multiforme de algo criativo, esperar sempre criar coisas novas. Um cachecol de ideias, de utopias. Pijamas de sonho, noites de chuva intensa.
Keats, Yeats, Beats, a Beat Generation, Pela estrada Fora rumo ao desconhecido. criar é isto, é arriscar deixar o sangue no asfalto. E aexperiência, o que se leu, o que se viu, o que se vive intensamente diariamente. Mão Morta, pelo sangue no asfalto, criação multiforme, isto é o que ando a estudar: Kantor, tadeusz Kantor, Dramaturgo e encenador polaco. O construtivismo de Kantor e Meyerhold, as marionetas humanas, a super-marioneta de Gordon Craig, a luz e os cenários de Adolphe Appia, tudo isto passa por nós nesta escola, é-nos ensinado. O resto vem nos livros, nas bibliotecas, é preciso ir à procura, trabalhar, investigar, suar. O Talento???? Por si só, o talento dá-nos 2, 3 anos de euforia, deslumbramento. Só perdura na arte quem trabalha afincadamente, sua abundantemente, chora compulsivamente quando tem de ser, ama desbragadamente o seu trabalho. Arte? Só como ponto de chegada, não como postulado inicial, "eu faço arte, sou um génio!" Tretas! Tão enganados andam muitos televisionáveis, actores(?) do momento, do efémero social. Não sabem o trabalho que dá o teatro, não sabem aquilo que ainda não sabem (e talvez nunca o saberão).
Não é um porte altivo que fala. É alguém que quer alertar para quem não sabe, quem nunca pensou ou nunca se apercebeu das nossas dúvidas, dificuldades, e muito trabalho, evolução, numa profissão em que recomeça-se sempre do zero a cada dia, a cada nova produção.
Não me falem em carreira! carreiras têm os autocarros!
Como disse Raúl Solnado: "O Actor é o operário da arte".
De resto, teatro, música, poesia, é apenas desejo de expressão, de comunicação intensa, de olhares trocados, de um sorriso, de um abraço.
Porque nós somos feitos de carne e osso, não somos máquinas, não somos a Máquina Hamlet de Bertolt Brecht, precisamos do amor, do calor, do frio do espectador, daquele que espera, não de um modo passivo, mas daquele que espera ver-se reconhecido, encontrado neste mundo e nesta sociedade.
Afinal, pergunta sacramental:
Que andamos nós cá a fazer? Que sentido faz isto tudo. Que sentido faço eu? Farei sentido? Terei sentido? Que sentidos uso para viver? O olhar, disse alguém, "O olhar é o mais intelectual dos sentidos". Porque é com eles que podemos abraçar o mundo! A Opsis, é para aquilo que trabalha o teatro, a observação do espectador, aquilo que ele vê, ouve, cheira, toca, saboreia, tudo para a sua vontade de descoberta, aprendizagem, conhecimento. Teatro feito para ver actores, para os actores se verem a si mesmos, não presta, lixo! Teatro é colectivo, teatro é inclusão, é revolução, é partilha, é memória, é história, são estórias de vida, morte, amor, pecado, renúncia, dor, solidão, em suma, é vida!
chega!

18 outubro, 2006 18:46  
Blogger Trilby usou da palavra

Agora estou de pé a aplaudir, não escrevo Clap, clap, clap, porque as minhas palmas não soam a clap, soam a traz, pás, pás. Gosto de como escreves. Não gosto de ler histórias sem h. A tua prosa é fértil. Gostava de lê-la mais vezes.

19 outubro, 2006 10:32  

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