20 de junho de 2006

A Silly Season está a chegar! - Problemas de ser Português

A estação parva, ou seja, o verão, está a chegar aí. Aliás, pode-se dizer que já chegou, com o futebolês reinante e os imensos festivais de música, com a malta a embriagar-se a torto e a direito. Posso parecer um velho a falar assim, mas é a verdade nua e crua. A política vai a banhos, amanhã até se adia o plenário da tarde devido à tão nobre causa Luso-Azteca.Não é que não goste de futebol, nada disso. Não é que não seja patriota, muito menos isso. O que me incomoda é ver o nosso país mergulhado na mais profunda crise. E não, não vou falar na tão propalada crise económica, disso percebem outros, mas falo de uma crise na Educação, uma crise Social, uma crise Cultural, uma crise de Cidadania. O Português é um povo amorfo, com falta de Escola, com falta de estudo, que não se recicla, que tarda em aprender, se é que aprende alguma coisa. Constrangem-me as multidões, seja para apoiar uma selecção, seja para apoiar um candidato presidencial. Já dizia Henrik Ibsen, dramaturgo Norueguês, falecido há precisamente 100 anos, que criticava duramente a sociedade da época em que viveu, na altura, uma sociedade regida pela moralidade acérrima, pelos valores da família, da religião, da propriedade, das aparêncais da era Vitoriana (final do Séc. XIX). Dizia então Ibsen, autor de obras como "Uma Casa de Boneca" ou "O Inimigo do Povo", que "as maiorias nunca têm razão, só nas minorias se pode achar alguma independência de pensamentos, longe da fachada massificada do pensamento e atitudes maioritárias". É do mundo dos pequenos que falo e que pertenço naturalmente, não por uma atitude puramente reaccionária contra o "forte rio e a sua corrente que pressiona as margens", mas por estar plenamente envolvido por uma vivência minoritária. Seja ao nível político, cultural, social, geracional. Não é uma atitude elitista, é antes uma visão diferente. E pergunto eu, o porquê de não se dar atenção ao interior do país desertificado e idoso, pobre? Quem quer saber de 75 % da área do nosso país? Onde só há 20 % de pessoas a viver, quem olha por eles? Quem pensa no Interior? Tantas oportunidades que há, com trabalho, com qualidade de vida, mas ninguém investe, 0s médicos e professores querem ficar ao pé do Centro Comercial ou da praia. Eu, que já vivi 3 experiências no Interior, e que não estou de momento, porque não há hipótese do estudo específico que estou a efectuar no interior, posso-vos falar do imenso prazer que foi trabalhar e viver aí (Alentejo Interior, Beira Alta), da qualidade de vida, mas infelizmente, há pouco mercado, há poucas pessoas, não há o reconhecimento estatal pelo trabalho efectuado. É pena!Depois, quem pensa em política, em Cultura, em Cidadania, nas questões base do povo Português nesta altura do ano, com o mundial a fazer-nos esquecer os males deste país. Quem pensa em melhorar os índices de sinistralidade nas estradas, quem pensa em melhorar as suas aptidões educacionais, curriculares, quem pensa em combater a obesidade infantil, o alcoolismo juvenil, o absentismo profissional ou escolar, quem pensa em ler Agostinho da Silva, Eduardo Lourenço (O Labirinto da Saudade), José Gil (Portugal - O Medo de Existir), grandes nomes que pensaram o modo de viver Português, também focando alguns aspectos positivos. Mas, como é possível que desde há 200 anos diversos escritores, intelectuais, falem de Portugal do mesmo modo, referindo sempre os mesmos problemas, e não mudamos, não resolvemos os nossos crónicos problemas do passado? Que modorra é esta em que constantemente repousamos?Que sol, que clima nos febrilmente nos incapacitou fatalmente? Que fado, que destino nos desencontrou? É num mar de dúvidas e questões que me encontro, e quanto mais velho estou, mais dúvidas tenho acerca do "ser português", neste mundo global, rápido como a internet e em que quanto mais informação temos, menos nos comunicamos uns com os outros.

7 Comments:

Blogger Papo-seco usou da palavra

Eu nasci na Beira Alta onde vivi até aos 11 anos

Quando lá retorno é para revisitar os rostos saborear os odores e cheirar os sabores

Tão depressa posso e venho embora para a cidade onde a vida passa ali já e agora

É triste eu sei

Todos os que lá não nasceram nem viveram me o dizem

Pois pois é o que eu lhes respondo

A vida aqui tão perto – diz o cantor

Por vezes tenho remorsos de sentir assim

21 junho, 2006 18:43  
Blogger mao morto usou da palavra

Também sou silly. Mal chega o Verão só quero "praiar".
Acerca do texto, está "on fire"! Subscrevo tudo o que dizes (assim é fácil opinar!).

21 junho, 2006 20:39  
Blogger al cardoso usou da palavra

Nao poderia escrever melhor que tu.

Passa pelo meu sitio:
http://aquidalgodres.blogspot.com

24 junho, 2006 07:38  
Blogger al cardoso usou da palavra

O Deus.....:
Com um texto deste calibre, se tivesse um pouco de humor ate parecia o Lingua Morta.

So posso concordar contigo.

Um abraco beirao.

24 junho, 2006 18:40  
Blogger RPM usou da palavra

meu amigo(a) Maria Pernilla....

mas o que debate é termos uma sociedade inculta(!) e uma macrocefalia da cidade, sede do império português a creescer cada vez mais....

como crescem cada vez mais, em Portugal, os imensamente ricos...tiveram um aumento de 14% no ano transacto, fonte da DGCI

para termnar...é uma realidade cada vez mais marcante e mais real...lá, na cidade há tudo e não vêem nada..no interior há pouco e tudo é olhado, com palmas ou sem palmas nos meios das obras....

abraço grande

RPM

25 junho, 2006 13:47  
Blogger mao morto usou da palavra

Quem é Maria Pernilla?

25 junho, 2006 14:56  
Blogger al cardoso usou da palavra

A Maria sei eu quem e, so falta saber quem e a Pernilla

27 junho, 2006 00:05  

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