1 de fevereiro de 2006

Os poetas sem Salário

São seres sem tostão
sem rei nem roque.
Passam ao largo dos demais
passos dos humanos

Vagueiam na lama, no interior dos comboios
na mais alta torre, no limiar dos castelos
E sonham!

Sem salário, sem sapatos para calçar
percorrem as ruas com as palavras no coração,
na mente inquieta que os atormenta

Com as feridas abertas do frio que os agarra
transpiram o mais sonoro alfabeto da
melodia do infinito, preces loucas
vidas desvairadas, solitárias

E com a surpresa, a paixão, os odores
de noites plenas e inacabadas
soçobram perante a agonia, a frivolidade,
a hipocrisia dos mortais

Os poetas sem salário
percorrem mundos
acham-se sem terra
os ossos talvez não tenham pátria
nem o suor do trabalho

Mas as lágrimas e o coração
têm uma pátria.
Uma pátria que tem algum sentido
quando a boca nos põe a falar dela.

Os poetas com o coração
rasgam montanhas, atravessam rios
e choram de felicidade
com a emoção dos outros.

A pátria dos poetas
é um imenso eflúvio
de sensações, de tempestades
e abraços imensos para o mundo.

B.R. 11/01/2006