8 de fevereiro de 2006

As Montanhas de Maomé e o Cinema Iraniano!

Se Maomé não vai à montanha,irá a montanha a Maomé?
Isto é uma dificuldade, mas sabemos que na região dos montes que se situam entre o Afeganistão, o Paquistão, o Irão, o Uzbequistão, o Azerbeijão e o Casaquistão, todas têm uma orogenia que é característica inigualável neste planeta. Esta orogenia causa, bastas vezes, enormes abalos sísmicos, o que faz com que seja mais fácil uma montanha deslocar-se do que o próprio Maomé! Lá está, não é piada, mas é verdade! Maomé não se mexe! E pergunto eu, para que nos serve um deus, se não mexe uma palha para nos ajudar? Quem diz um deus, diz um amigo, um político, uma amante! Portanto, mais valem as montanhas, com a sua pequena, mas vivaz actividade, que mexe nas casas de todos, na configuração das estradas, dos desertos, das pontes. Isto sim é vida! É cruel, mas é a natureza em acção!
Uma nota cultural a terminar: Um dos maiores e mais talentosos realizadores de cinema é Iraniano. Chama-se Abbas Kiarostami. Tem uma cinematografia ímpar, de qualidade, surpreendente, de crítica social, política, em suma, cinema de autor, por alguém que ainda arrisca a ser voz crítica para o seu povo, mas também para o que vem de fora, para o mau que o Ocidente traz ao seu país.
Um filme, que mostra os acontecimentos terríveis de um forte sismo no Irão, com milhares de mortos e desalojados chama-se: "Onde é a casa do meu amigo?", outros filmes: "O Sabor da Cereja" (a estória de um homem que se quer suicidar, mas que tem imensas dificuldades para o concretizar); "O Vento levar-nos-á" (a estória de um grupo de homens que espera a morte de uma anciã numa aldeia remota, mas ela nunca mais acontece); "Através das oliveiras" (a estória de um homem que procura incessantemente, anda quilómetros através das oliveiras, da sua amada. Leva sempre recusas, mas quem sabe, no fim...), "Dez" ou "Ten" (a estória de uma mulher de Teerão, rica, culta, evoluída, casada,com trabalho, mas que sofre com o seu marido porque ele não aceita a sua condição de mulher liberal, num país de costumes machistas, onde as mulheres ainda não têm voz. Um filme que pôs mais uma vez, o dedo na ferida do Islamismo, do Irão, dos costumes ancestrais.) Tudo filmes a não perder! E o próximo de Abbas Kiarostami, já com o reconhecimento de Cannes e Hollywood, deve estar a sair! Um nome a não esquecer, ou a lembrar, sempre que se fale de bom cinema!

5 Comments:

Blogger Aladdin Sane usou da palavra

Acabaste de tocar numa das minhas feridas (sim, a língua está morta mas tem feridas por cicatrizar).

Kiarostami? Gostei de um filme-quase-documentário (???) sobre um sismo, mas não me lembro do nome. "Um tempo para cavalos bêbados" é dele? Não tenho a certeza, mas gostei "um xixito" do filme. Mas dos outros filmes só posso dizer "Zzzzzzzzz...." - ou seja, prefiro ver a mira técnica da televisão (mas agora só há teleshopping!). Claro que não chega aos calcanhares dos bocejos que dou ao ver os filmes de Theo Angelopoulos, mas às vezes anda lá perto.

A temática da orogenia é-me cara, mas e que tal abordar a erogenia? E pumba! Temos polémica! Desafio-te desde já para um duelo! Vai haver batatada com a Pernilla a assistir impávida, impotente, incongruente e inconsequente.

E vivam os comentários escritos a quente!

08 fevereiro, 2006 20:35  
Anonymous Anónimo usou da palavra

Um tempo para cavalos bêbedos não sei se é dele, mas vou investigar.
Esse, do sismo, julgo que é o "Onde é a casa do meu amigo". Este, não te preocupes que tenho em VHS (Vanda Hoje Sai) em casa e vou vê-lo!
Teres sono do Kiarostami é injúria pecaminosa, pior que gozar com o Maomé! Kiarostami é do melhor. Tens é de tirar dos teus pensamentos, essa inteligência Ocidental, formatada e deixares-te envolver por uma cultura bem diferente, por um ritmo de vida, por costumes opostos. mas isso é o sal que nos alimenta. Eu quando vejo algo que desconheço, como o Irão, aquelas pessoas, aquela língua, aquelas paisagens, embora velhas,só me apetece entrar naquela tela, naquele écran e estar com aquela gente! Meu amigo, isto sim é um duelo! Sem desvelo, sem pêlo nem camelo. Kiarostami é mestre, senhor, deus dos céus Iranianos! E se dizes mais uma linha com essa desfaçatez de Pernillão bem pensante, desfaço-te em mil pedaços orogénicos, para te transformar em papéis higiénicos!
Agora responde, a ver se eu deixo!

08 fevereiro, 2006 21:08  
Anonymous Anónimo usou da palavra

Meu amigo, aprenda comigo, que não duro sempre:
- Diz-se Bêbedos e não Bêbados!
Tu apanhas bebedeiras! Tu bebes! Tu bebericas um pouco de água, ou moet et Chandom!
Seus Pimpineiros, com a mania que sabem escrever e dissertar acerca da vida: por favor, nunca mais digam Bêbado1 Só aceito se estiverem com uma enorme bebedeira! lolllllllllllllllll

08 fevereiro, 2006 21:11  
Blogger Aladdin Sane usou da palavra

Eu cá tenho um dicionário! E não é que existem as palavras "bêbado" e "bêbedo"? Um caso de coexistência pacífica...

oadeusdasmaquinas... será um alter ego (ou um alterne-ego) de odeusdamaquina?

odeusdaquina:

Amanhã, a esta mesma hora, neste mesmo blog, aparece. Um de nós tombará, alvejado pelo oponente.. mas tudo com cavalheirismo ocidental, como é nosso apanágio! (Se não comparecer, não será por cobardia, mas por hombridade e respeito pela insanidade.)

08 fevereiro, 2006 22:31  
Anonymous Anónimo usou da palavra

Não vou aparecer, não por ombridade (de ombro), mas por joanetes! É que a humidade faz-me mal, e um duelo já em plena noite não dá! Ou é de dia, ou finito!
E não acredites no que te dizem, acredita em ti mesmo. Esse dicionário segue a má cartilha moderna, em que se pode abrasileirar, estrangeirar tudo, modernar o que se apetece! Se tivesses lido Eça de Queirós, saberias que bêbedo e só bêbedo é admitido no português vernacular!
O resto são lérias. Se nas Faculdades de Letras já dizem Bêbado, é porque dão mais importância às saídas nocturnas e aos jantares e festas académicas do que à verdadeira leitura dos clássicos. A Educação vai mal, e nós sabemos porquê! Porque se permite tudo neste país que não tem amor pela língua, pela pátria, pelo Manuel Alegre, pelas homenagens! Como é possível que digamos Afeganistão,quando o resto do mundo diz Afganistão. O mesmo deveria ser para Amsterdão. Assim é na língua original. Mas isto dá uma imensa discussão.
E não pensem que irei escrever Sutiã, écrã, e essas merdas assim. é na língua original que se devem manter. Sutien, écran, isto sim!
Respeitem a língua de porco!
Um duelo, a cavalo...com ovo e o bife pra atestar! Então, arma cheia e lá vai disto, cobói!

09 fevereiro, 2006 14:15  

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